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BEIRUTE/POLIGNANO A MARE/ROMA/MONTAUBAN
Saímos de Beirute com honras de chefe de estado, a promotora local, Norah Jumblatt foi nos acompanhar, e tinha uma outra moca da produção local muito esquisita que a banda apelidou de Kledir. Ela fez nosso check in e voamos com Alitalia rumo a Roma onde nos aguardava nosso ônibus. O vôo atrasou um pouco e chegamas a Fiumiccino quase 23 horas. Zarpamos pra Polignano a Maré, a 490 kms. de Roma, na Puglia, logo ao sul de Bari. A cidadezinha de 10.000 habitantes ficou famosa por ser a terra natal de Domenico Modugno um dos mais famosos artistas italianos de todos os tempos. O show de Gil, alias, dava inicio aos festejos de 50 anos de “Volare” uma das 10 cancoes mais famosas do mundo de todos os tempos. Bem, nosso hotel, Il Covo dei Saraceni, ficava a beira mar, em cima de uma garganta de escarpas altas com aquele mar turquesa no meio. Um sonho e a primeira providencia no dia seguinte foi irmos a praia. A água era deliciosa, não tão fria como costuma ser por essas bandas. So que eh praia de pedras, sem areia.
A tarde, fui com Lucinha e Sandra ao mercado pois íamos reunir o grupo no terraço da suíte de Gil e Flora. Voltei correndo pra acompanhar as entrevistas de Gil com RAI, La Repubblica e jornais locais. A noite fomos pro terraço enorme da suíte, debruçado sobre o mar, a noite fresca e servimos champagne, vinhos e queijos e frios e estava deliciosa a farra. Teve cantoria com direito a Lucinha e eu imitando Dalva de Oliveira. Hilário.
No dia seguinte, fomos a praia novamente, almoçamos no restaurante do hotel e fomos ate Bari pra dar uma sacada. Na volta acomapnhei Gil na passagem de som(a produção italiana eh realmente a pior do mundo e os meninos sofrem com equipamentos velhos, atrasos, falta de material, etc.. mas em compensacao tem a beleza do pais, a simpatia das pessoas, a comida e os vinhos maravilhosos. O show foi maravilhoso na praça principal da bela cidadezinha, com a população praticamente toda na rua e Gil cantou Garota de Ipanema(o que já faz em todos os shows) e emendou com “Volare” comentando que uma era a musica brasileira mais famosa no mundo e a outra italiana. Após o show, jantamos perto do show e saímos as 3.30 hs da madrugada pra aproveitarmos o dia livre em Roma.
Chegamos de manha na cidade linda e ensolarada. O Hotel era o tradicional Bernini Bristol na Piazza Barberini, ao pe de Via Veneto, com sua linda fonte feita por Jean Lorenzo Bernini, um dos maiores escultores de todos os tempos. A suíte de Flora e Gil(604) era simplesmente o maximo do bom gosto com um grande terraço sobre a praça, uma piscina com espreguiçadeiras, mesinhas, ombrellone. Um escândalo!!! A equipe ficou em outro hotel, próximo a Villa Ada, local do show. No Bristol ficamos Flora, Gil, Lucinha, Sandra e eu. Nos instalamos, telefonei pra todos os amigos romanos(a maioria fora da cidade, nas praias diversas) e saímos a pe, flanando ate o Al Moro, restaurante delicioso, o favorito de Chico Buarque, habitue do local, nas proximidades da Fontana di Trevi(Vicolo delle Bolette, 13). Após o almoco, fizemos umas comprinhas e voltei pro hotel pra pegar Gil e fomos no carro do governo ao encontro do Presidente della regione, Dr. Zingaretti, a secretaria de cultura de Roma, Cecília D Elia e outras autoridades. O propósito era agradecer a Gil pois o governo da região se inspirou no projeto “ Pontos de Cultura” e criou um projeto semelhante nas periferias das grandes cidades italianas. Eles conversaram sobre inclusão digital e fizemos uma visita aos subterrâneos do Palazzo, onde recentemente descobriram ruínas de casas romanas de ate 2.000 anos atrás.
Foi muito bacana e nada chato como eu havia pensado inicialmente.
De la, voltamos pro hotel, pegamos as meninas(Flora, Lucinha e Sandra) e seguimos pra casa de Ettore(Viale Trastevere, 85) onde ele nos ofereceu um jantar maravilhoso, tudo feito por ele. La estavam nossos queridíssimos Marco Molendini e Lorenza Foschini(ele me deu de presente seu livro Il Capoto de Proust), Gino Castaldo, Jerry Marques, nosso tour manager, Bem, Fiorella Mannoia e seu novo namorado. Foi uma noite ótima e na volta, ainda tivemos fôlego pra tomar champagne no terraço de Flora.
No dia seguinte, dia de show, trabalhei um pouco na internet, tomei sol no terraço de Flora, conversei por telefone com meus amigos Marisella e Alberto Zanmatti(estão na Sardenha), Fiorella Amico(filmando perto de Florença), Patrizia Giancotti, Enrica Antonioni, Francesco Luciani(em Porto Santo Stefano), Rafael Millon, Massimiliano di Tommasi, Menahen Gantz(correspondente de jornal israelense em Roma). Os que estão em Roma, vão todos ao show. Jerry nos ligou dizendo que estava tudo super atrasado e passou nossa saída do hotel para 19.00 hs. Almoçamos no restaurante do Hotel no terraço com Sandra e Lucinha que saíram em seguida pra voltar pro Brasil. Vamos sentir uma falta enorme delas pois juntas nos divertimos muito. Chegamos a Villa Ada so Deus sabe como pois o motorista que mandaram pra nos buscar não sabia onde nos levar. Enfim, como um milagre, o show aconteceu e foi lindo, muito cheio e com publico bem participativo. Enrica Antonioni veio nos ver antes do show e achei-a bem, apesar de um pouco mais gorda e com olhos tristes. Ela praticamente raspou a cabeça.
Conversamos muito, ela nos convidou pra passar uns dias na casa de Trevi. Todos os amigos citados apareceram no camarim depois do show e foi uma alegria enorme no camarim, todos encantados com a versão de Gil pra “Volare” (que se chama, de verdade, “Nell Blu, dipinto di Blu”). Saímos de la, fomos com Ettore jantar no Ristorante e Pizzeria La Base, um dos poucos de Roma aberto a noite toda(Via Cavour, 274), já com nossas malas no carro, De la, fomos ate o hotel dos músicos onde nosso ônibus nos esperava. Saímos 3.30 hs da madrugada.
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Montreux, estava linda, animado como sempre e, logo de chegada encontrei minhas amigas Nancy Ypsilantis, jornalista Greco suíça e Dominique Dreyfuss, minha amiga e amiga da MPB de muito tempo. Ela eh francesa mas foi criada em Garanhus, PE e fala português com sotaque franco-nordestino. La em Montreux tivemos a companhia de Otavio Rodrigues da Revista Rolling Stones que foi terminar o perfil de Gil que deve sair na revista dentro em breve no Brasil. Logo encontrei Tb Mazzola com a filha Daniela, MartNalia com Connie, Elba e Gaetano com Lua, Quincy Jones a quem o Festival estava homenageando pelos seus 75 anos. Foi pena termos ficado tão pouco na cidade pois Claude Nobs nos convidou pra uma festona na casa dele que eh um chalé no alto da montanha e que provocou o seguinte comentário de Azeitona, baixista de Toquinho que foi la conosco em 81: “ Minha irma, favela eh essa aqui. So tem casão, com jardins floridos não eh aquela espelunca do Brasil”.
Tive uma brechinha a tarde efui mostrar um pouco de Motreux pra Marina, tiramos fotos na beira do lago, com as estatuas que homenageiam os grandes nomes do jazz(Ella Fitzgerald, Ray Charles e outros). A noite o show foi animaderrimo e MartNalia abriu os trabalhos de maneira gloriosa. O auditório cheio, seguiu com Elba e seus forros e xotes e Gil fechou os trabalhos sendo assistido por Quincy Jones e equipe, entre os quais o nosso internacional percussionista Paulinho da Costa com a sua Arícia há anos radicados em LA e ele sempre aparece nos créditos de discos das maiores feras tipo Stevie Wonder, Madonna, entre outros. Depois do show fomos ao hotel, o maravilhoso Montreux Palace tomar uma chuveirada e saímos rumo a Padova, pra ser mais precisa, Galzignano Terme, uma espécie de Caxambu italiana. O hote(Splendid)l tinha mil piscinas, com hidromassagem e águas tratadissimas e la tínhamos 3 dias inteiros pra aproveitar. O show foi numa ruína do Castelo D Este. No primeiro dia de manha, peguei uma bicicleta com Marina e andamos quase 2 horas pela região, lindíssima, com córregos, rios, vegetação bonita. No outro dia livre acordamos mais cedo e fomos, Marina, Jerry, Crocas e eu pra Veneza. O dia estava lindo e, ao contrario do previsto, não pegamos fila pra nada e rapidamente chegamos la(uns 50 minutos de ônibus e mais uns 30 de tragetto, o barco que nos levou ate a Piazza San Marco). Realmente, eh ver Veneza e morrer pois eh linda no inverno ou no verão com ou sem turistas. Voltamos ao hotel e ainda tivemos tempo de curtir um pouco da piscina.
No terceiro dia saímos as 17 hs rumo a Deauville, a viagem durou 21 horas(no livro estava 17 hs…. não a toa chamamos o tour book de livro das mentiras ou book of lies). Chegamos em Deauville, linda com suas construções normandas inclusive o nosso hotel Normandie, o mais belo da cidade e o cassino ao lado gênero Copacabana Palace. O quarto era uma fofura e eu e Marina nos jogamos na cama. Comemos num restaurante simples mas gostoso perto do hotel e fomos dormir cedo. No dia seguinte, caminhei na orla(uns 7 kms) a praia eh enorme de areia mas a água e feia, cor de caldo de cana(eh o Atlântico Norte, feio mesmo). E depois sai pra umas compritas com Marina. Acompanhei Gil na passagem de som e na coletiva que aconteceu logo após quando chegaram nossos queridos Edgard e Claudine amigos novo mas muito queridos. Deixei Gil no hotel e fui jantar com eles no Le Cinc, restaurante lindo e comida maravilhosa(comi fois grãs e um risotto de camarão divinos, acompanhado de champagne gelada). Depois fomos pro local do show e resolvi voltar pra Paris de carona com Edgard e Claudine pois assim poderia deixar Marina na casa de Marília e encontrar a turma no dia seguinte no aeroporto pra voarmos pra ca(estou em Beitedine, Líbano).
Chegamos em Paris as 2.30 hs da manha e a pobre da Marilinha abriu a porta e o coração pra nos receber. Dormimos e acordei cedo com Marília, tomei banho e fui de carona com ela ate o terminal Air France e peguei o ônibus pro Aeroporto. Cheguei bem cedo, confirmei as nossas passagens para a GRÉCIA e para o Brasil. Logo depois chegaram Flora, Gil e a banda e voamos pra Beirute com a MEA(Middle East Airlines). A viagem dura 4.20 hs e tinham autoridades nos esperando na porta do avião. Assim que saímos direto pra uma sala vip, recolheram os passaportes, nos levaram para o hotel Bristol, nos instalamos e fomos primeiro visitar um palacete de 150 anos que pertence a uma amiga de Paulo Uchoa a Gabi., A casa eh impressionante e o jardim enorme ao fundo mais majestoso ainda com um fícus cheio de cipós-raizes incrível. Tomamos uma água de rosas com a Gabi e a mãe dela nesse jardim e fomos jantar, a convite da produção do festival no Mandaloun Sur Mer, ao ar livre, a beira mar e eles apresentaram uma degustação de comida libanesa de primeiríssima, um vinho branco Tb ótimo(no avião serviram um tinto mas não gostei pois era muito resinado tipo uns gregos). Havia muita gente local da mais alta sociedade. Era um tal de minha lancha pra Ca, meu AP em NY ou em Paris pra la mas tudo sem afetação. Do nosso grupo estávamos Flora, Gil, Lucinha, Sandra, Paulo Uchoa e a banda mais Crocas e eu. Foi ótimo e cheguei no hotel morta. Todos comentam a falta que Marina faz na tour e eu fico toda orgulhosa.
Hoje saímos de manha, as mulheres mais Paulo Uchoa e fomos as compras. Primeiro fomos na loja Orient 449 (Rue Omar Daouk), que pertence ao Frank, um amigo de Uchoa e seguramente a melhor loja do pais pra roupas e coisas de casa. São túnicas, kaftans, colchas, toalhas de mesa, objetos, etc…. tudo regional mas muito bem feito, com tecidos de primeiríssima e muito bom gosto. De la fomos ao bazar L Artisan Du Liban(Rue Clemenceau-Imm Tajer) com coisas bonitas Tb mas bem mais simples e acessível do que a primeira loja. Depois passamos no hotel, pegamos Gil e fomos almoçar no Abd El Wahab(51 Abdel Wahab El Inglizi Street) também com comida maravilhosa. Nos deleitamos e pedimos so as entradas típicas. Depois deixamos as mocas no hotel e vim com Gil pra ca pra o Palácio de Beitedine, nas montanhas a 50 minutos de Beirute e residência de verão do presidente da republica. A cidade de Beirute esta toda refeita mas as marcas das guerras estão em todas as partes e também nota-se um culto as personalidades políticas com enormes outdoors de autoridades. Há muitas mesquitas mas quase tudo tem as marcas das guerras. A promotora do show no Líbano eh Norah Jumblatt, mulher de um político e empresário poderosissimo. A casa deles eh cercada de seguranças armados ate os dentes. Como disse uma libanesa no jantar de ontem “ o povo já nem sabe por que luta mas querem eh brigar”.
Obs: toda turne apresenta uma expressão ou mais que viram a marca da turnê. Dessa vez Bem lançou o “nítido” pra dizer “é claro” ou “lógico” e, quando queremos parar o ônibus pra ir ao banheiro fazer numero 2 já que eh proibido fazer no ônibus, falamos” vamos parar pois o charuto ta no beiço “(essa eh do Felipe, filho de Sandra) ou “o negao já ta no olho magico”(essa eh minha) ou ainda” preciso botar a marrom na hidro”. Muito fino!!!!
A promotora do show no Líbano eh Norah Jumblatt, mulher de um político e empresário poderosissimo. A casa deles é cercada de seguranças armados ate os dentes.
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Bem, Valência foi ótimo. Enquanto Gil descansava, Flora, Marina e eu fomos pra piscina do hotel no terraço tomar um sol e nadar um pouco. Depois fui com Gil passar o som, após a passagem voltamos todos para o hotel (o Palau de la Musica fica do outro lado da avenida) para jantarmos e tornamos a ir pro show. A sala bela, som ótimo…
Após o show, uma ducha pra encarar às 18 hs (que viraram 20 hs) de estrada ate a periferia de Paris onde pernoitamos. Ville D’Avray, um encanto de lugar e o hotel – Les Etangs de Corot – esta simplesmente no guia Relais Chateau. Que coisa boa dormir numa cama com roupa de cama de primeira, o banheiro com ducha e banheira separadas! Fomos logo jantar, pois eram 22 hs e o restaurante do hotel fechava a essa hora. Comemos fois grãs, lapin com penne ao molho de manjericão, tudo isso regado a um Sancerre tinto excelente (Flora é louca por esse vinho e Vinicius também era pelo branco bem geladinho!).
Dormimos como reis e no dia seguinte pegamos a estrada rumo a Rouen onde Tb ficamos na periferia (Forges lês Eaux) e o nosso hotel era no meio de um parque imenso, tudo muito florido, a cidadezinha com muitas casas em estilo normando, com jardineiras nas janelas e nos postes antigos. Uma jóia.
O dono do cassino e dos hotéis nos levou pra comer no restaurante do cassino, bom Buffet e depois fui com Gil e Marina, minha fiel escudeira, pra Rouen onde já estava toda a nossa equipe. Flora ficou no hotel pra esperar Lucinha Araujo e Sandra Fernandes que estavam vindo de Paris de carro. O local do show era a beira do Sema (ele passa em Rouen a caminho de sua foz em Le Havre), na Esplanade Du Bassin St. Gervais e o show faz parte de uma festa naval deles chamada Armada. O local era imenso e tive medo de ter pouco público, pois estava chuviscando, nubladíssimo.
Bem, antes do show Gil recebeu em seu camarim o M. Alain Le Vern (presidente da região Haute Normandie), M. Alain Rousset(pres. da Associação das Regiões Francesas) e ninguém menos que Laurent Fabius, ex primeiro ministro da Franca no governo Mitterand) Foi aquela troca de amabilidades, eles deram a Gil 2 garrafas de Armagnac, um livro sobre a Normandia(me deram um Tb) e Fabius elogiou muito a nossa economia(Ele foi ministro ou secretario de economia em algum momento, eu acho). Como ficamos um bom tempo no camarim com eles e depois eu fui jantar com a produção local e quando vimos o publico já tinha chegada e, segundo os locais tinham umas 35.000 pessoas lá. Foi bárbaro.
Saímos batidos logo após o show pra evitar a confusão e quando chegamos no hotel la estavam Lucinha e Sandra com Flora nos esperando. Fizemos uma horinha e saímos rumo a Montreux onde eu não ia há anos e este ano tem festa pra Quincy Jones pelos 75 anos de idade e pra Gil pelos 30 anos de sua apresentação naquele festival.



