Diário Banda Larga


Gil se ilumina ao explorar a ‘máquina’ de ritmo

Artista pautado por aguçada consciência ambiental, Gilberto Gil foi escolhido para abrir a série Concertos para Amazônia, realizada dentro de uma programação de eventos que ocupa o Jardim Botânico, a reserva florestal carioca onde foi inaugurado recentemente o Teatro Tom Jobim. Na companhia de seu violão e do filho Bem Gil, que se revezou na percussão e num segundo violão, o cantor apresentou o show Gil Luminoso, inspirado no belo disco homônimo (encartado em livro de 1999 e relançado em 2006 pela gravadora Biscoito Fino em edição avulsa) em que o compositor alinhou reflexões espiritualistas em regravações intimistas de canções próprias e alheias. Este Gil interiorizado se iluminou em alguns números e especialmente no bis que encadeouTempo ReiA Linha e o Linho (com outra costura harmônica) eRetiros Espirituais. No todo, o roteiro do show extrapolou o repertório e o conceito espiritual do disco que o inspirou. A ponto de ter fechado com Soy Loco por Ti, America, tema de vivacidade rítmica que culminou num diálogo vivaz dos violões de Bem e Gil.

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Dotado de musicalidade ímpar, Gil se iluminou sobretudo ao manipular seu violão, sua máquina de ritmo. Já no primeiro número, Flora, canção transmutada para o universo do samba, o artista brincou com o ritmo cheio de dengo que imprimou a esta composição de múltiplos sentidos. À vontade, Gil experimentou tons e divisões, explorando nuances ainda escurecidas de músicas como Esotérico e Metáfora (com citação assoviada de Penny Laneao fim). Exímio contador de histórias (não por acaso escolhido para ser o primeiro artista nacional a gravar DVD e CD ao vivo na série Storytellers, que em 2009 passa a ser produzida também no Brasil pelo canal de TV VH1), Gil também discursou sobre questões ambientais, celebrou a eleição do mulato Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos (“Um avanço histórico já considerável em si mesmo”) e dissertou sobre as dinastias da música brasileira antes de anunciar a entrada em cena do filho Bem Gil a partir de Chiclete com Banana. Bem teve seu melhor momento quando assumiu o pandeiro para acentuar as quebradas rítmicas do samba Amor até o Fim, (bem) gravado por Elis Regina.

Com Bem, Gil ressaltou a atmosfera lúdica de Gueixa no Tatame - música do disco Banda Larga Cordel (2008) que cresceu na abordagem intimista – e reviveu samba antigo, Senhor Delegado(Antoninho Lopes e Ernani Silva, 1957), regravado pelos Titãs em 1998 no Volume Dois. Escorado na sua máquina de múltiplos ritmos, Gil acentuou a batida de samba de roda que acompanhaAndar com Fé, sintetizou no violão a pegada nordestina que originou Expresso 2222 e apimentou a levada de xote que envolveDespedida de Solteira - pretexto para discurso sobre a malícia característica do gênero, ilustrado com o improvisado canto a capella de Peba na Pimenta, xote composto em 1957 por João do Vale (1933 – 1996) em parceria com José Batista e Adelino Rivera.

Ao aproximar Se Eu Quiser Falar com Deus de Não Tenho Medo da Morte em bloco mais intimista, Gil enfatizou a superioridade da canção de 1981 sobre o tema gravado em seu último álbum. Tanto no que diz respeito à arquitetura das melodias como às divagações transcendentais feitas nas letras das duas canções. Na seqüência, outro link temático – bem mais inusitado – encadeou O Rouxinol(da lavra do próprio Gil) com Three Little Birds, o tema de Bob Marley (1945 – 1981). Foi momento espirituoso de um show que transcendeu a espiritualidade do CD Gil Luminoso em favor da musicalidade multifacetada de Gilberto Gil. Concerto iluminado…

fonte: Blog do Mauro Ferreira



Co-fundador do Creative Commons cita Gil no Wall Street Journal
Novembro 12, 2008, 7:19 pm
Arquivado em: Tour - Banda Larga Cordel 2008

O professor de Direito Lawrence Lessing, catedrático da Universidade de Stanford e um dos co fundadores do Creative Commons, em artigo sobre direitos autorais para o The Wall Street Journal, cita Gilberto Gil quando ele diz que ” ja fez varias mixagens de musicas de Gil com videos domesticos de meu filho mas o que acontece quando alguém tira partido dessa criatividade?  Os artistas que são remixados deveriam ser pagos ao menos quando remuneraçao  couber.  Por exemplo, quando o YouTube torna um remix amador público e disponível, alguma compensaçao para o Mr. Gil faz-se necessária.”  

 
 
Lawrence Lessig is a professor of law at Stanford Law School, and co-founder of Creative Commons.

fonte: http://online.wsj.com/article/SB122367645363324303.html