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Montreux, estava linda, animado como sempre e, logo de chegada encontrei minhas amigas Nancy Ypsilantis, jornalista Greco suíça e Dominique Dreyfuss, minha amiga e amiga da MPB de muito tempo. Ela eh francesa mas foi criada em Garanhus, PE e fala português com sotaque franco-nordestino. La em Montreux tivemos a companhia de Otavio Rodrigues da Revista Rolling Stones que foi terminar o perfil de Gil que deve sair na revista dentro em breve no Brasil. Logo encontrei Tb Mazzola com a filha Daniela, MartNalia com Connie, Elba e Gaetano com Lua, Quincy Jones a quem o Festival estava homenageando pelos seus 75 anos. Foi pena termos ficado tão pouco na cidade pois Claude Nobs nos convidou pra uma festona na casa dele que eh um chalé no alto da montanha e que provocou o seguinte comentário de Azeitona, baixista de Toquinho que foi la conosco em 81: “ Minha irma, favela eh essa aqui. So tem casão, com jardins floridos não eh aquela espelunca do Brasil”.
Tive uma brechinha a tarde efui mostrar um pouco de Motreux pra Marina, tiramos fotos na beira do lago, com as estatuas que homenageiam os grandes nomes do jazz(Ella Fitzgerald, Ray Charles e outros). A noite o show foi animaderrimo e MartNalia abriu os trabalhos de maneira gloriosa. O auditório cheio, seguiu com Elba e seus forros e xotes e Gil fechou os trabalhos sendo assistido por Quincy Jones e equipe, entre os quais o nosso internacional percussionista Paulinho da Costa com a sua Arícia há anos radicados em LA e ele sempre aparece nos créditos de discos das maiores feras tipo Stevie Wonder, Madonna, entre outros. Depois do show fomos ao hotel, o maravilhoso Montreux Palace tomar uma chuveirada e saímos rumo a Padova, pra ser mais precisa, Galzignano Terme, uma espécie de Caxambu italiana. O hote(Splendid)l tinha mil piscinas, com hidromassagem e águas tratadissimas e la tínhamos 3 dias inteiros pra aproveitar. O show foi numa ruína do Castelo D Este. No primeiro dia de manha, peguei uma bicicleta com Marina e andamos quase 2 horas pela região, lindíssima, com córregos, rios, vegetação bonita. No outro dia livre acordamos mais cedo e fomos, Marina, Jerry, Crocas e eu pra Veneza. O dia estava lindo e, ao contrario do previsto, não pegamos fila pra nada e rapidamente chegamos la(uns 50 minutos de ônibus e mais uns 30 de tragetto, o barco que nos levou ate a Piazza San Marco). Realmente, eh ver Veneza e morrer pois eh linda no inverno ou no verão com ou sem turistas. Voltamos ao hotel e ainda tivemos tempo de curtir um pouco da piscina.
No terceiro dia saímos as 17 hs rumo a Deauville, a viagem durou 21 horas(no livro estava 17 hs…. não a toa chamamos o tour book de livro das mentiras ou book of lies). Chegamos em Deauville, linda com suas construções normandas inclusive o nosso hotel Normandie, o mais belo da cidade e o cassino ao lado gênero Copacabana Palace. O quarto era uma fofura e eu e Marina nos jogamos na cama. Comemos num restaurante simples mas gostoso perto do hotel e fomos dormir cedo. No dia seguinte, caminhei na orla(uns 7 kms) a praia eh enorme de areia mas a água e feia, cor de caldo de cana(eh o Atlântico Norte, feio mesmo). E depois sai pra umas compritas com Marina. Acompanhei Gil na passagem de som e na coletiva que aconteceu logo após quando chegaram nossos queridos Edgard e Claudine amigos novo mas muito queridos. Deixei Gil no hotel e fui jantar com eles no Le Cinc, restaurante lindo e comida maravilhosa(comi fois grãs e um risotto de camarão divinos, acompanhado de champagne gelada). Depois fomos pro local do show e resolvi voltar pra Paris de carona com Edgard e Claudine pois assim poderia deixar Marina na casa de Marília e encontrar a turma no dia seguinte no aeroporto pra voarmos pra ca(estou em Beitedine, Líbano).
Chegamos em Paris as 2.30 hs da manha e a pobre da Marilinha abriu a porta e o coração pra nos receber. Dormimos e acordei cedo com Marília, tomei banho e fui de carona com ela ate o terminal Air France e peguei o ônibus pro Aeroporto. Cheguei bem cedo, confirmei as nossas passagens para a GRÉCIA e para o Brasil. Logo depois chegaram Flora, Gil e a banda e voamos pra Beirute com a MEA(Middle East Airlines). A viagem dura 4.20 hs e tinham autoridades nos esperando na porta do avião. Assim que saímos direto pra uma sala vip, recolheram os passaportes, nos levaram para o hotel Bristol, nos instalamos e fomos primeiro visitar um palacete de 150 anos que pertence a uma amiga de Paulo Uchoa a Gabi., A casa eh impressionante e o jardim enorme ao fundo mais majestoso ainda com um fícus cheio de cipós-raizes incrível. Tomamos uma água de rosas com a Gabi e a mãe dela nesse jardim e fomos jantar, a convite da produção do festival no Mandaloun Sur Mer, ao ar livre, a beira mar e eles apresentaram uma degustação de comida libanesa de primeiríssima, um vinho branco Tb ótimo(no avião serviram um tinto mas não gostei pois era muito resinado tipo uns gregos). Havia muita gente local da mais alta sociedade. Era um tal de minha lancha pra Ca, meu AP em NY ou em Paris pra la mas tudo sem afetação. Do nosso grupo estávamos Flora, Gil, Lucinha, Sandra, Paulo Uchoa e a banda mais Crocas e eu. Foi ótimo e cheguei no hotel morta. Todos comentam a falta que Marina faz na tour e eu fico toda orgulhosa.
Hoje saímos de manha, as mulheres mais Paulo Uchoa e fomos as compras. Primeiro fomos na loja Orient 449 (Rue Omar Daouk), que pertence ao Frank, um amigo de Uchoa e seguramente a melhor loja do pais pra roupas e coisas de casa. São túnicas, kaftans, colchas, toalhas de mesa, objetos, etc…. tudo regional mas muito bem feito, com tecidos de primeiríssima e muito bom gosto. De la fomos ao bazar L Artisan Du Liban(Rue Clemenceau-Imm Tajer) com coisas bonitas Tb mas bem mais simples e acessível do que a primeira loja. Depois passamos no hotel, pegamos Gil e fomos almoçar no Abd El Wahab(51 Abdel Wahab El Inglizi Street) também com comida maravilhosa. Nos deleitamos e pedimos so as entradas típicas. Depois deixamos as mocas no hotel e vim com Gil pra ca pra o Palácio de Beitedine, nas montanhas a 50 minutos de Beirute e residência de verão do presidente da republica. A cidade de Beirute esta toda refeita mas as marcas das guerras estão em todas as partes e também nota-se um culto as personalidades políticas com enormes outdoors de autoridades. Há muitas mesquitas mas quase tudo tem as marcas das guerras. A promotora do show no Líbano eh Norah Jumblatt, mulher de um político e empresário poderosissimo. A casa deles eh cercada de seguranças armados ate os dentes. Como disse uma libanesa no jantar de ontem “ o povo já nem sabe por que luta mas querem eh brigar”.
Obs: toda turne apresenta uma expressão ou mais que viram a marca da turnê. Dessa vez Bem lançou o “nítido” pra dizer “é claro” ou “lógico” e, quando queremos parar o ônibus pra ir ao banheiro fazer numero 2 já que eh proibido fazer no ônibus, falamos” vamos parar pois o charuto ta no beiço “(essa eh do Felipe, filho de Sandra) ou “o negao já ta no olho magico”(essa eh minha) ou ainda” preciso botar a marrom na hidro”. Muito fino!!!!
A promotora do show no Líbano eh Norah Jumblatt, mulher de um político e empresário poderosissimo. A casa deles é cercada de seguranças armados ate os dentes.
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Bem, Valência foi ótimo. Enquanto Gil descansava, Flora, Marina e eu fomos pra piscina do hotel no terraço tomar um sol e nadar um pouco. Depois fui com Gil passar o som, após a passagem voltamos todos para o hotel (o Palau de la Musica fica do outro lado da avenida) para jantarmos e tornamos a ir pro show. A sala bela, som ótimo…
Após o show, uma ducha pra encarar às 18 hs (que viraram 20 hs) de estrada ate a periferia de Paris onde pernoitamos. Ville D’Avray, um encanto de lugar e o hotel – Les Etangs de Corot – esta simplesmente no guia Relais Chateau. Que coisa boa dormir numa cama com roupa de cama de primeira, o banheiro com ducha e banheira separadas! Fomos logo jantar, pois eram 22 hs e o restaurante do hotel fechava a essa hora. Comemos fois grãs, lapin com penne ao molho de manjericão, tudo isso regado a um Sancerre tinto excelente (Flora é louca por esse vinho e Vinicius também era pelo branco bem geladinho!).
Dormimos como reis e no dia seguinte pegamos a estrada rumo a Rouen onde Tb ficamos na periferia (Forges lês Eaux) e o nosso hotel era no meio de um parque imenso, tudo muito florido, a cidadezinha com muitas casas em estilo normando, com jardineiras nas janelas e nos postes antigos. Uma jóia.
O dono do cassino e dos hotéis nos levou pra comer no restaurante do cassino, bom Buffet e depois fui com Gil e Marina, minha fiel escudeira, pra Rouen onde já estava toda a nossa equipe. Flora ficou no hotel pra esperar Lucinha Araujo e Sandra Fernandes que estavam vindo de Paris de carro. O local do show era a beira do Sema (ele passa em Rouen a caminho de sua foz em Le Havre), na Esplanade Du Bassin St. Gervais e o show faz parte de uma festa naval deles chamada Armada. O local era imenso e tive medo de ter pouco público, pois estava chuviscando, nubladíssimo.
Bem, antes do show Gil recebeu em seu camarim o M. Alain Le Vern (presidente da região Haute Normandie), M. Alain Rousset(pres. da Associação das Regiões Francesas) e ninguém menos que Laurent Fabius, ex primeiro ministro da Franca no governo Mitterand) Foi aquela troca de amabilidades, eles deram a Gil 2 garrafas de Armagnac, um livro sobre a Normandia(me deram um Tb) e Fabius elogiou muito a nossa economia(Ele foi ministro ou secretario de economia em algum momento, eu acho). Como ficamos um bom tempo no camarim com eles e depois eu fui jantar com a produção local e quando vimos o publico já tinha chegada e, segundo os locais tinham umas 35.000 pessoas lá. Foi bárbaro.
Saímos batidos logo após o show pra evitar a confusão e quando chegamos no hotel la estavam Lucinha e Sandra com Flora nos esperando. Fizemos uma horinha e saímos rumo a Montreux onde eu não ia há anos e este ano tem festa pra Quincy Jones pelos 75 anos de idade e pra Gil pelos 30 anos de sua apresentação naquele festival.
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Meus queridos, a tour começou muito bem apesar de um desencontro inicial já que eu e Marina fomos Rio/Paris/Barcelona e Gil e todo o grupo de 15 pessoas (Flora, Gil, 6 músicos, 4 técnicos, 1 tour manager, 1 assistente pessoal, 1 web jornalista) vieram Miami/Atlanta/Barcelona.
Inicialmente chegaríamos 10 minutos uns depois das outras e assim que desembarcamos procurei no painel a chegada do vôo de Atlanta. La estava ele pousado com bagagem numa esteira ao lado de onde estariam minhas malas. Recolhemos nossas bagagens e ficamos esperando pela chegada deles. 40 minutos depois, todos os gringos já haviam retirado suas bagagem e nem 1 das 15 pessoas do grupo pintou. Desistimos de esperar na área das esteiras e saímos no hall onde sequer tinha gente do grupo. Comecei a surtar e deixei Marina com as malas e fui lá fora procurar nosso super ônibus e, depois de muito andar, reconheci o nome da Cia. Alemã num ônibus porem não havia ninguém dentro. Fui ficando mais e mais intrigada ate que, depois de muito rodar achei Stephan, nosso motorista que me contou que a turma havia perdido a conexão devido a um mal tempo no aeroporto de Atlanta e que viriam no mesmo vôo do dia seguinte. Enfim, Marina e eu tínhamos o ônibus (e o dia) só para nos. Nos jogamos e seguimos pra Girona, nosso primeiro pouso. Chegamos umas 3 horas da tarde, deixamos as malas, tomamos uma ducha e fomos caminhar, pois a vontade era cair na cama naquela hora, mas isso transtornaria nossos primeiros dias de turnê. Vimos logo liquidações de verão de Zara, El Corte Inglês e outras lojas, visitamos o centro histórico medieval e lindíssimo de Girona, lembramos de quando estivemos la em 2002 com Caetano e seus filhos e bateu a fome e fomos procurar um restaurante que não fosse muito pra turistas.
No primeiro local que entramos com direito a presuntos Pata Negra pendurados no teto, sentamos e veio uma garçonete mal humoradissima e jogou 2 menus sobre a mesa. Abrimos e … estava tudo escrito em catalão. Mostrei a Marina que tinha muito de português e Frances e tentamos adivinhar os pratos. Reconheci um que era uma salada verde com atum e quando a mulher se aproximou mandei em espanhol “por favor, nos gustaria uma ensalada de atum”…. E ela respondeu: “quando você souber dizer direito o nome do prato que quer, eu volto pra tirar o pedido”!!!! Fiquei pasma com a grosseria, nos levantamos e fomos procurar outro lugar pra comer. Achamos um bárbaro, chamado Mozart, numa praça linda, ao ar livre e comemos, caminhamos de volta ao hotel onde, tipo as 22 hs eu já estava sonhando. Marina ficou ainda vendo TV e lendo.
Acordei tipo as 10 hs da manha e desci, tomei café, fui a internet controlar meus emails, dei umas voltas e fiquei de plantão no hotel a espera do grupo. Chegaram todos mortos e a rapaziada da técnica, salve eles! Comeram algo e foram direto pro local do show fazer a montagem. Os músicos e Gil puderam ao menos comer e descansar um pouco. Enquanto eles faziam isso, Marina e eu fomos correr num parque belíssimo (La Defensa) cheio de carvalhos e plátanos enormes. Sai com Gil as 19 hs pra passar o som e já ficarmos no local que era simplesmente o Maximo. O palco montado numa praça, com cadeiras dispostas numas escadarias e ao fundo a imponente catedral de Girona. A acústica foi a mais perfeita que já escutei e o show foi lindo. Os ingressos esgotados dias antes (como não usamos os nossos 20 convites pediram pra vender a sobra pois havia fila nas ruas laterais da praça fechadas).
O incansável Gil, após o show que botou todo mundo pra dançar o xote, o baião e o samba, ainda teve fôlego pra atender o pessoal do Linguamon, fundação de Barcelona que se dedica as línguas (vão criar um museu das línguas, inspirado no nosso da Língua Portuguesa em SP) e que estão rodando um documentário sobre diversidade lingüística, com apoio da ONU e que terá Gil como fio condutor. A idéia é que ele encontre, em suas andanças, pessoas de diversas áreas e de diversas línguas pra trocar idéias e os caras vão filmando. O primeiro encontro aconteceu no camarim de Girona e foi com um rapaz de uma aldeia nos Pirineus e que se dedica a conservar sua língua original que esta quase desaparecida – o aragonês. A conversa foi super interessante e depois dela fomos todos dormir exaustos já que hoje a técnica saiu as 8 hs e nos as 10 hs.
Estamos na estrada há quase 3 horas e devemos chegar em Valencia às 16 hs. Faremos o show hoje a noite e as 2 hs da madrugada saímos pra Rouen (1.375 Kms ou 18 hs + ou -).
Em Rouen chegam nossas queridas Lucinha Araujo e Sandra Fernandes. Aproveito que todo mundo foi se acomodar em suas camas pra escrever no sossego e com uma estrada linda e bem asfaltada (da uma pena das estradas brasileiras e sobretudo dos motoristas que nelas tem que trafegar!!).
Estou com uma boa pauta de assuntos pra “despachar” com Gil, tipo combinar o horário pra fazer a foto da capa da Rolling Stones em Montreux, armar uma coletiva também em Montreux a pedido da Warner Suíça, confirmar encontro com o presidente regional da Normandia apos o show em Rouen e com o presidente da região Veneto em Padova; armar encontrar pra depoimento pra um documentário sobre Capoeira feita por um grupo de franceses em Montauban, encontro com filho de Marcel Camus, que é desenhista de quadrinhos/mangas e vai fazer a revista de Orfeu Negro e quer que Gil escreva uma apresentação…
Enfim, é dura a vida da bailarina. Muito pedido pra um só Gil!!!!!


